segunda-feira, 10 de março de 2008

O Fantástico da Fantástica Fábrica de Chocolate



O diretor Tim Burton e o ator Johnny Depp reproduziram, em nova versão, o livro “A Fantástica Fábrica de Chocolate” de Roald Dahl, publicado em 1964 e filmado pela primeira vez em 1971.
No filme, estão presentes crianças mimadas e pessoas sem valor moral, entregues ao comodismo e ao capitalismo desenfreado. Porém, para termos essa visão, é preciso analisar o que há por trás de uma fábrica extraordinária que produz os doces favoritos das crianças, principalmente o chocolate, além de ter umpa-lumpas, pigmeus adoradores de chocolate, que trabalham para Willy Wonka (Johnny Depp) em sua fábrica.
Tentando encontrar um herdeiro, Wonka distribui cinco tickets nas barras de chocolate. Aqueles que os encontrarem poderão visitar sua fábrica e, ao fim do passeio, haverá um vencedor que ganhará um presente incrível. As cinco crianças sortudas são Augustus, o guloso; Veroca, a mimada; Violeta, a compulsiva; Miguel, o obcecado por jogos eletrônicos e Charlie, humilde e solidário, “o herói altruísta do filme”, como bem disse Otavio Filho, em “A Fantástica Fábrica do Capitalismo”.

O interessante do filme é que, além de nos seduzir com uma arrebatadora fábrica repleta de todos aqueles doces e com todas as esquisitices do seu proprietário, de repente nos desligamos de tudo isso e passamos a enxergar o capitalismo imperialista, o desenvolvimento desigual, a globalização que não chega a todos, a industrialização que leva ao desemprego e à miséria, a imigração da mão-de-obra barata e a possível analogia: chocolate x petróleo. Elementos também presentes no Fordismo, modelo de produção em massa, na Revolução Industrial, e na biografia de Thomas Edison, inventor da lâmpada, e no mundo contemporâneo. Além dos textos “Dra. X Adriane Galisteu” de Arnaldo Jabor, “A Armadilha da Globalização” por Gilson Ribeiro.

Contudo, o filme torna-se confuso por trazer todo esse conteúdo, em seu enredo infantil. Essa mistura de teor adulto com abordagem acriançada deixa-o um pouco estranho, fato tamém percebido no comportamento do esquisito Willy Wonka, um homem que teve a infância reprimida pelo pai e que a exerce e saboreia agora em sua fase adulta. Aqueles que estão acostumados com a primeira versão do filme podem surpreender-se, pois esta é bem diferente.

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