Gentileza, definida pelo dicionário, é uma ação nobre; uma cortesia, amabilidade; primores, coisas feitas com arte e delicadeza; “Gentileza que não quer dizer fraqueza, nem é virtude só para mulheres. Gentileza que significa cortesia, amabilidade, fidalguia, bom tratamento”, declara o Portal do Espírito.
Nestes tempos de muita preocupação consigo mesmo, e de pouco tempo para o outro, esta é uma virtude que anda em falta. Muitos se desculpam dizendo "não tenho tempo para estas coisas". Contudo, a gentileza tem um poder muito grande e relação direta com elevação moral.
Grande exemplo foi o Profeta Gentileza. Após terrível perda, em 1980, passou a fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar". Em troca, depois de sua morte, os murais que haviam sido danificados por pichadores e vandalos e que haviam sido pintados de cinza pela prefeitura, foram restaurados em 2000, atráves do projeto Rio com Gentileza.
Em Salvador, nos deparamos com muitas gentilezas urbanas semelhantes, ao transitar por suas ruas e avenidas. Em Ondina, temos “As Gordinhas”, desde 2004. Trabalho da artista baiana Eliana Kertz, exposto pela Prefeitura. As meninas são uma homenagem às raças negra, branca e índia, que deram origem ao povo brasileiro. Elas foram batizadas com os nomes de Damiana, Mariana e Catarina e feitas em bronze, cada uma com cerca de três metros de altura. Para Eliana, está é “uma maneira de ver o mundo e manifestar irreverência à ditadura da beleza magra”.
Outra gentileza é o Projeto Música no Parque, realizado quinzenalmente aos domingos, há cinco anos pelo Caderno 2 Produções Artística. Contando com o patrocínio exclusivo da Oi, e através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura – Fazcultura, do Governo da Bahia, oferece ao público baiano shows de qualidade, com artistas locais e de outros Estados do Brasil, no Parque da Cidade. A proposta do projeto é absorver esse público, oferecendo shows gratuitos, com a intenção de promover a cultura local, gerar mercado de trabalho para os artistas e técnicos da cidade e formar novas platéias.
E não pára por aí: A casa de Jorge Amado e Zélia Gattai, no bairro do Rio Vermelho, foi aberta ao público e tornou-se museu. O casal comprou a casa em 1963, atraídos pelo imenso quintal onde plantaram mudas de várias espécies. Na sala, há quadros de Aldemir Martins, Floriano Teixeira, Djanira, Caribé. Há até um prato de Picasso. Depois de quase 40 anos, Zélia Gattai mudou-se do lugar onde foi tão feliz, mas foi por uma boa causa. “É uma homenagem que se presta ao escritor diante do público, das pessoas que lêem e que gostam de ver”, concluiu Zélia.
Numa área anexa ao Solar do Unhão foi inaugurado em 1997 o Parque das Esculturas, um museu a céu aberto, no qual encontram-se obras feitas por Bel Borba, Carybé, Chico Liberato, Emanoel Araújo, Fernando Coelho, Juarez Paraíso, Mário Cravo Júnior, Mestre Didi, Sante Scaldaferri, Siron Franco, Tati Moreno e Vauluizo Bezerra. O espaço é cercado por um gradil - que foi a última obra executada por Carybé. O artista também assina o projeto de um painel de concreto, localizado na parte final do jardim e do portal de entrada, todo em ferro e com desenhos de animais e frutas, representando o sol e símbolos do acarajé.
O Parque Costa Azul, que localiza-se no bairro de mesmo nome, possui um campo de futebol, equipamentos para exercícios físicos, dois playgrounds com bicicletários, ciclovias, pistas de cooper em níveis diferenciados e calçadões, e dois painéis coloridos do artista plástico Fernando Coelho. É ótimo para um passeio no fim de semana. Seja sozinho, com o cachorro ou com a família.
No Parque Pituaçu, está situado o Espaço Cravo, um museu a céu aberto que conta com um acervo de 800 peças e outras 200 cedidas ao Estado da Bahia pelo próprio artista plástico Mário Cravo - as obras constituem-se de totens vegetais, objetos alados e tridimensionais, desenhos, pinturas, projetos arquitetônicos e produção em multimídia.
Além dessas gentilezas, temos ainda as belas esculturas de diversos Orixás, no meio da lagoa, no Dique do Tororó, que é uma gentileza para com o candomblé. Os mosaicos de Bel Borba, pela cidade. Os jardins, dispostos pela Prefeitura. Música, nos rádios das praças em alguns bairros. O belo zoológico, aberto para visitas gratuitas.


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