terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Filho mais Velho


Outro dia eu estava em um seminário que abordava a educação, o sistema educacional, os alunos, os profissionais, e outros temas nesse sentido. Não estava animada a dar minha opinião, embora sejam temas interessantes e recorrentes, queria apenas ficar quieta ali, ouvindo.

As pessoas criticavam veementemente o sistema que desmotiva educadores, e educadores que já são desmotivados por si mesmos. Falavam sobre os alunos de hoje e seu não-aproveitamento do ensino, e então uma professora falou indignada sobre estudantes que não querem aprender e ficam na sala distraídos e atrapalhando o desenvolvimento da aula.

Foi quando uma moça disse que não era bem assim, que esses alunos não podem ser julgados dessa forma. Defendeu que era necessário analisar o porquê daquele comportamento, que muitas crianças não têm, em casa, uma base, um ambiente propicio para serem bons alunos. Alguns concordaram com ela, outros discordaram e assim seguiram-se os debates.

Eu não segui com eles. Após ouvir o que disse aquela moça, fui remetida a um caso que me fora contado já há algum tempo...

O filho mais velho morava em uma casinha com os pais e três irmãos. Sua casa era uma desordem, assim como sua infância. A mãe vivia berrando e reclamando de tudo, e o pai sempre cheirava a álcool e resmungava com todos.

Pela manhã, acordava, levantava, lavava o rosto e ia para a escola. Ele não gostava muito, ia a contragosto, do contrário sua mãe surtaria. Na sala de aula ele ficava um tanto inquieto. A professora falava e falava. Ele pouco entendia. Tentava se concentrar, prestar atenção no que ela dizia e escrevia no quadro, mas logo a barriga lhe doía, o estômago apertava e ele apenas desejava a hora das merendeiras encherem seu pratinho com comida.

Voltava os olhos para a professora e tentava não desviá-los, sabia que precisava aprender tudo aquilo. Ela era legal, dizia coisas engraçadas, passava jogos e outras atividades divertidas. Com ela ele aprendeu algumas coisas, mas a mesma lhe dizia que ainda não era o suficiente.
Sempre que podia levava-lhe uma bala, uma fruta tirada dum quintal ou uma flor catada no mato. Um dia, ao chegar à sala de aula, prometeu-lhe uma margarida (preferida por ela). Os olhos da professora encheram-se de lágrimas, ela o abraçou e depois lhe disse que não estaria lá neste dia.Justificou-se falando algo sobre as dificuldades que encontrava no colégio, sobre o sistema não apoiá-la... Algo assim...

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