A religião é uma das atividades mais universais conhecidas pela humanidade, e esteve presente em todas as épocas. Ela é um fenômeno inerente a cultura humana. Foi impulsor de muitos movimentos, como as guerras, legitimou estruturas sociais e vetou por muitas vezes o conhecimento científico, e tudo indica que surgiu do desejo de encontrar um significado e propósito definitivos para a vida, geralmente centrado na crença e ritual à um ser (ou seres) sobrenatural.
Religião para alguns é algo fundamental. É a base de suas vidas, é de um tiram crenças, esperanças e rumo. Já para outras não é tão essencial assim. Elas vivem bem sem seguir uma religião. Vão levando suas vidas, trabalhando, rindo, conversando, chorando, vencendo e perdendo. Acreditando ou não em Deus, ou em uma força maior. Assim como eu, que acredito em Deus embora não siga nenhuma religião. Passei por algumas, mas em nenhuma fiquei.
Quando criança via minha mãe protegendo nós e nossa casa dos maus espíritos. Minha melhor amiga freqüentava a Igreja Batista com toda sua família, e, às vezes, eu os acompanhava, por preferir ir à igreja a ficar em casa sem nenhuma diversão. Contudo, não me parecia verdadeira toda aquela justificativa de que o pastor passava as mensagens de Deus para os homens. Sendo ele, também, um homem, o que o fazia ser superior aos outros ao ponto de ser escolhido?
Em uma de minhas férias, passadas em Salvador com minha família, uma tia me contou histórias do Buda, me falou sobre meditação e me deu algumas apostilas para ler. Sempre gostei de incensos, achei belas as esculturas dos budas, e gostei do seu altar. Passei em uma dessas lojas de artigos naturais e orientais, e comprei pequenas estátuas do Buda, incensos e porta-incenso. Entretanto, as férias acabaram e já de volta a minha casa, não tinha quem me incentivasse no estudo das apostilas e nem quem tirasse minhas dúvidas. Com isso, acabei por deixar o Budismo de lado.
Conheci a Igreja Universal, mas apenas por fazer parte de um trabalho de campo de antropologia. Foi interessante porque as pessoas têm muito preconceito com essa religião, acreditam que são mercenários, fanáticos, e que buscam doutrinar aqueles que não seguem a religião, sendo inconvenientes e desrespeitosos, e lá não vi tanto isso. São elementos presentes, é verdade, mas não tão intenso como as pessoas disseminam. E logo após conheci o Espiritismo. Na verdade, conheci de modo mais teórico, porque sempre tive contato com a prática, sendo minha família espírita.
Disseram-me que eu estava sendo obsidiada. Fui a um centro freqüentado por um namorado e comecei o tratamento de “desobsessão”. Mas sua lógica deixou de fazer sentido para mim, e me incomodava muitíssimo a consciência da presença de espíritos em todos os lugares, inclusive ao meu lado. Abandonei o centro e o tratamento.
Como já estava morando em Salvador e a minha tia budista também, voltei para o Budismo. Gosto dele, pois me acalma e me deixa leve e serena. Então leio um pouco sobre ele, freqüento o centro algumas vezes, vou a palestras, medito vez ou outra. Me agradam muito os praticantes que conheço, são todos tão tranqüilos, atenciosos, gentis, felizes... Atrevo-me até mesmo a dizer: em processo de iluminação.
Lendo sobre, descobri que embora muitos acreditem que o budismo é uma religião, na verdade, ele é uma filosofia de vida, baseada integralmente nos profundos ensinamentos do Buda. E o que mais me apraz: quando pregava, Buda não pretendia converter as pessoas, mas iluminá-las. É uma filosofia de sabedoria, onde conhecimento e inteligência predominam. O Budismo trouxe paz interior, felicidade e harmonia a milhões de pessoas durante sua longa história de mais de 2.500 anos.
Outro ponto interessante é que o Buda ensinou que todos os seres sencientes estão em um ciclo contínuo de vida, morte e renascimento, por um número ilimitado de vidas, até que finalmente alcancem a iluminação. Os budistas acreditam que os nascimentos das pessoas estão associados à consciência proveniente das memórias e do karma (qualquer ação física, verbal ou mental, realizada com intenção) de suas vidas passadas.
O budismo formou-se no nordeste da Índia, no século VI a.C. Numa fase de alterações sociais, políticas e econômicas nesta região do mundo. A antiga religiosidade bramânica, centrada no sacrifício de animais, era questionada por vários grupos religiosos, que geralmente orbitavam em torno de um mestre. Época semelhante a nossa, na qual presenciamos tantas mudanças.Alterações na natureza, na estrutura familiar, na religião, tantos questionamentos e novos segmentos, também na economia, agora com a quebra da bolsa, que surpreendeu e envolveu a todos. Eu costumava a atribuir acontecimentos como esses à pressa do homem, a fome por mais, a falta de paciência. Mas agora, vendo que em outras épocas também foi assim, que faz parte da grande roda da vida, já não culpo o homem tanto assim. Apenas espero que ele alcance... (não vou tão longe até a iluminação, como o Buda, ou a nirvana, mas ao...) equilíbrio! Equilíbrio interno para que alcancemos o equilíbrio externo.


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