Herbert de Perto é um documentário sobre a vida do líder dos Paralamas de Sucesso, Herbert Vianna. Dirigido por Roberto Berliner e Pedro Bronz, o filme chegou aos cinemas do dia 23 de outubro e retrata momentos importantes da vida do cantor e compara o Herbert pré-acidente ao pós-acidente, sem tornar o fato em motivo de drama.
O filme relembra alguns e mostra a outros que os Paralamas do Sucesso surgiu na década de 80 e logo cedo o sucesso chegou e acompanha o trio desde então. A banda começou quando os integrantes ainda eram garotos e tinham se mudado do Rio de Janeiro para Brasília. Da necessidade de se distraírem e se sentirem parte de algo em meio a tanta individualidade as reuniões para tocar começaram e as primeiras composições foram surgindo. O grupo já tinha tudo para se tornar a banda de sucesso que sempre foi: boas músicas, bom cantor, compositor e guitarrista, bom baterista, alegria, jovialidade, irreverência e coragem.
Em 2001, Herbert sofreu um acidente enquanto pilotava seu ultraleve e ficou paraplégico, além de perder sua esposa, a inglesa Lucy Needham. Herbert de Perto retrata para o público e para o próprio Herbert (que após o acidente teve seu memória comprometida) os momentos que sucederam após o acidente: o choque dos amigos presentes no local do incidente, a reação dos familiares do cantor, a cobertura da imprensa, o apoio dos fãs, a recuperação de Herbert e a única vez em que ele foi visto em pé depois do acidente.
Os depoimentos dos pais e do irmão de Herbert tornam o público mais próximo do cantor, levam-no a infância dele, seu crescimento, seu prematuro e impressionante interesse pela música, pelo violão. As imagens em família, com Lucy e os filhos, ainda bebês, emocionam a todos que assistem, inclusive Herbert, ao documentário.
Pedro Bronz afirmou que uma das intenções do filme era mostrar o Herbert do início da carreira e o de agora. Isso ficou bem claro no vídeo, a todo o momento está presente a comparação entre as épocas, chegando a ser até exagerado, desnecessário. Existem dois pontos que merecem destaque, no primeiro Herbert, no início da carreira, afirma que se algum desastre acontecesse ele começaria tudo de novo e chegaria onde está. Ao ver essa cena, hoje, ele diz que “esse mané não sabe direito o que está falando”. O segundo é outra afirmação do cantor, ele declara que antes do acidente ficava muito agitado no palco, pulava, rodava, corria, etc. e não tinha condições de observar o público e suas reações. Atualmente com os movimentos limitados ele se concentra mais na ocasião do show, observa as pessoas ao seu redor, suas expressões e percebe o quanto aquele momento é grandioso.
Embora seja um documentário bastante emocionante, principalmente pelos depoimentos e pela visibilidade das emoções de Herbert, não é um filme dramático, não é para fazer ninguém chorar e achar que o cantor é um coitadinho. Após dois meses em coma, Herbert acordou e cantou, falou em inglês e em espanhol, brincou com o pai e com a enfermeira. Tendo o apoio das famílias Vianna e Paralamas, o compositor não parou de cantar, não se esqueceu das letras, e continua cantando para seu público e sua amada Lucy.
O filme chega a ser invasivo ao acompanhar Herbert até mesmo ao barbear-se, mas mostra muita coisa legal como os anos 80, os penteados, as roupas, as festas, os shows, outras bandas que surgiam, como Legião Urbana e Kid Abelha, mostra os Paralamas jovem, e um fato muito bacana: após o acidente a banda voltou a se reunir como faziam quando ainda eram garotos, e agora Herbert não compõe e pensa as músicas sozinho, tudo é feito em conjunto, o que une ainda mais a banda.
Como o irmão do cantor, Hermano, bem disse Herbert “é um exemplo”. É preciso muita força, coragem e vontade de viver para voltar da morte, conviver com a ausência da pessoa adorada e se adaptar às dificuldades presentes no fato de não poder contar com as pernas. Herbert de Perto nos faz pensar em tudo isso, mas sem nos custarem lágrimas.

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