A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que as doenças crônicas, como as doenças cardiovasculares, a diabetes, a obesidade, o colesterol elevado, o cancro e as doenças respiratórias, representam 59% do total de 57 milhões de mortes por ano e 46 % do total de doenças. Pacientes diagnosticados com alguma doença crônica nem sempre seguem a risca as orientações do médico. Algumas vezes por não terem conhecimento sobre a gravidade do problema, outras vezes por negligência.
Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, se toda a população brasileira fizesse 30 minutos de atividade física regular cinco vezes por semana e mudasse o padrão alimentar, poderiam ser evitadas 260 mil mortes por ano por causas como câncer, doença coronariana crônica e doenças cardiovasculares.
A nutricionista do Hospital Santa Isabel, Ilana D’Andrade, 42, afirma que essas doenças podem ser tratadas através de medicamentos, dieta e exercício físico. ‘’O tratamento medicamentoso e uma dieta regular, por exemplo, servem para todas. Já a cirurgia não é recomendada para diabetes e hipertensão’’, comenta Ilana.
Doença crônica é toda condição clínica cuja evolução se processa a longo prazo, com ou sem tratamento. No entanto, doenças que a tempos atrás eram consideradas fatais passaram a apresentar uma evolução crônica, com o surgimento de novas opções terapêuticas. Assim aconteceu com o diabetes mellitus, a partir da chegada da insulina e dos hipoglicemiantes de uso oral, e com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (ou AIDS), cujos portadores, antes fadados à morte prematura, têm hoje uma melhoria das condições de vida, com bom desempenho social e profissional. Até o câncer, em suas várias manifestações, é considerado uma doença crônica, tendo em vista o maior percentual de cura de muitos tipos, e a possibilidade de tratamentos que prolongam a sobrevida dos pacientes.
Em 2004, após passar muito mal, o gerente de trafégo, Luiz Antônio de Oliveira, 47, foi levado às pressas para o hospital, onde foi diagnosticado com pressão alta. Desde então ele vem se tratando. “No início eu tomava um remédio, e o médico também recomendou baixa ingestão de comidas salgadas e uma dieta regular, pois estava acima do meu peso”, afirma Olveira.
Segundo ele, o susto o levou a mudar seu estilo de vida. “Além das comidas salgadas, preciso evitar doces em excesso, e com tudo isso perdi 55 kg”. O gerente admite que mesmo tendo sido recomendado, ele não pratica exercícios físicos com freqüência, mas às vezes caminha um pouco.
O professor de educação física, Renan Vasconcellos, 22, lida com pacientes diagnosticados com doenças crônicas há três anos. “Percebo que a maioria das pessoas, que tem doenças crônicas, procuram algum tipo de atividade física quando estão realmente sentindo desconforto, seja ele, físico ou mental”, afirma Vasconcellos.
Por conta dos processos de industrialização, urbanismo, desenvolvimento econômico e globalização alimentar, somos seres cada vez mais sedentários, submetidos a uma dieta excessivamente calórica e gordurosa, além de freqüentemente expostos a substâncias alérgicas e tóxicas, seja a partir da poluição atmosférica, seja a partir do que ingerimos. Qualquer um de nós está sujeito a desenvolver uma doença crônica. Outro fato é que transmitimos a nossos filhos a hereditariedade dessas enfermidades.
O estudante, Matheus Lélis, 16, foi diagnosticado em 2003 com colesterol alto. “Estava sentindo uma dor de cabeça insuportável, fui ao médico fazer os exames e foi detectado que o meu colesterol estava muito alto”, conta Lélis. A ele foram recomendados ingestão de legumes, verduras e fritas, e evitar frituras, biscoitos recheados e refrigerantes.
Segundo Lélis, as verduras e os legumes tornaram-se habituais em suas refeições. “Passei a ingerir alimentos a base de soja, ao invés de comer hambúrguer de carne bovina, eu optei pelo de soja. Aos poucos vou substituindo os alimentos gordurosos pelos saudáveis”, explica o adolescente, que confessa não praticar exercícios físicos com regularidade, como foi recomendado, “O médico recomendou, mas pratico apenas nas aulas de educação física na escola”.
Existem 40 milhões de brasileiros com colesterol alto, mas apenas 200 mil estão em tratamento. A maioria das pessoas não tem idéia de qual seja o seu nível de colesterol e muito menos o que deve ser feito para evitar que ele se eleve ou para reduzi-lo a níveis saudáveis.
“É necessário privilegiar frutas, vegetais, frutos secos e cereais integrais. Além de substituir as gorduras animais saturadas por gorduras vegetais insaturadas, e reduzir o consumo de alimentos salgados e doces. Iniciar a prática de exercício físico diário e manter um peso normal também são recomendados”, indica Ilana.
De acordo com o professor de educação física, o exercício físico auxilia bastante na prevenção dessas doenças, desde que ele se torne prazeroso a seu praticante. “Sempre me ponho presente aos meus alunos no incentivo de novas atividades, pois muitos se restringem a apenas algumas atividades, ao acharem que são incapazes de realizadas novos exercícios”, comenta Vasconcellos.
“Bem estar físico e mental tem que andar juntos quando se trata de minimizar sintomas. Atividades de baixo impacto são de suma importância para o início do tratamento, hidroginástica, caminhadas leves e natação são algumas opções”. De acordo com o professor de educação física, em alguns casos essas pessoas têm que ser acompanhadas de perto, pois algumas patologias requerem atenção redobrada do professor.
As doenças crônicas pioram a qualidade de vida das pessoas, encurtam a vida e consomem recursos enormes. Através da alteração do seu estilo de vida, a pessoa poderá, em pouco tempo, reduzir o risco de desenvolver uma doença crônica.


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