O problema, segundo ela, é que, ao se explicar, nosso herói se disse “confuso”: afirmou que ela era “especial” e que o problema era “a distância”. Ela me pediu opinião, e eu, certo de que fulano não era da Liga dos Bróderes, fui categórico: “Isso é manutenção de marca”.
Diante da promessa de algo bom na vizinhança, nosso herói resolveu apostar no presente e apagou o passado. No entanto, disse à minha amiga exatamente o que ela queria ouvir: “a distância”, “especial”… “confuso”.
O rapaz se pintou como um joguete do Destino, mas no fim queria mesmo era uma gata indiscutível de stand-by, numa das capitais mais visitáveis do mundo. Com suas palavras doces, também evitava o estresse: mais do que sinceridade, mulheres preferem mentiras sinceras.
(Além disso, repare na cumplicidade forjada: a “especial” sabe da oficial, mas a oficial não sabe da especial; assim, a especial tem uma confortadora sensação de superioridade. É como se um super-herói revelasse ao seu amor sua identidade secreta, algo que o mundo inteiro adoraria saber, mas só ela tem).
Homens e mulheres perpetram essa prática hoje, levados por vaidade, carência afetiva, garantia de sexo eventual, medo da solidão ou até uma patológica e sincera indecisão diante da oferta. Muito embora amor seja milagre – e milagre, como se sabe, é mais caro –, nunca antes na história deste país choveu tanto na horta dos solteiros e solteiras, e nunca se atribuíram tantos benefícios à vida sexual ativa – pele mais bonita, melhor funcionamento dos órgãos e, claro, histórias mais interessantes no papo com as amigas.
Com Facebook, SMS e todas essas vias de comunicação que dispensam o olho no olho, machos e fêmeas se tornaram investidores num mercado de ações afetivas. Periodicamente, observam a cotação das “empresas” em que têm “participação” e esperam o melhor momento para, de vez em quando, realizar “os lucros”. Homens costumam ser mais previsíveis, como adoramos ser: usam ciclos de tempo, dizem coisas agradáveis e mandam convites vagos, como “A gente precisa se ver, hein?”. É um jogo de controle e consumo.
(Aliás, outra amiga me contou que, ao deixar um camarada usar seu computador, ficou impressionada com o “método”: abriu seis janelinhas de chat, todas com rostos femininos, mandou um “Oi, gostosa!” para todas e, a partir daí, começou o leilão de sua noite).
Os métodos femininos são bem menos, hã, indexáveis. Normalmente é aquele milenar jogo de cena ao vivo: da provocação do ciúme à simulação de ciúme, passando até pelo ciúme-que-não-tem-razão-de-ser, tudo isso a fim de testar o magnetismo junto ao eleitorado. Mas alguns bróderes já identificam muitas acionistas cibernéticas, para espanto e precaução dos outros. Estamos alertas.


Nenhum comentário:
Postar um comentário