Caro Artur,
Escrevo-lhe do ano de 2008 e sinto informar-lhe que o romantismo da sua crônica “Ter ou não ter namorado” não existe mais.
O texto é inteligente, romântico e uma utopia para os tempos atuais.
As pessoas com as quais convivo, ao lerem seu texto apenas soltem um suspiro nostálgico. E, não são todas
O amor que o senhor conheceu vive hoje solitário e deslocado. São poucas as pessoas que o acolhem. A maioria não tem tempo para ele, nem interesse, nem paciência.
Depois da pílula e do divórcio, a mulher não tem ficado muito tempo com o mesmo homem. Diferentemente do seu tempo, hoje ela o deixa ao perceber que ele não é lá grande coisa ou, simplesmente, ao cansar-se do relacionamento com ele. Então ela conhece outro homem, que lhe parece mais interessante, constrói um relacionamento, e acaba por entedia-se mais uma vez.
Como deve estar percebendo, é raro encontrar um namoro com gosto de quindim, flor catada do muro não vale muito, lembranças no fim de semana correm o risco de não serem muito agradáveis, no sexo é cada um por si.
O curioso é que muitos dos meus contemporâneos, inclusive eu, ao assistirem um filme ou ouvirem uma música que remeta à época em que o senhor viveu, suspiram e desejam aquele amor, aquele carinho. No final, entretanto, todos dão de ombros.
A sua idéia de namoro é incompatível com minha geração.


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