quarta-feira, 24 de março de 2010

Casar: Verbo Intransitivo

por: Márvio dos Anjos


Esta semana, fui a mais um casamento dos meus amigos de segundo grau. Agora só faltamos Luís e eu, entre os sete fantásticos que éramos no hoje chamado ensino médio. Coincidiu com a semana em que eu fui parabenizar amigos por um matrimônio de oito anos, e a mulher me respondeu: “Obrigado, embora eu ache que você não acredite nessa palavra”.

Mal sabem as mulheres que nós homens, em algum momento da vida, já sonhamos ser fiéis. Temos nossos motivos: desde querermos ser melhores que nossos pais até o simples cansaço da luta pela mulher de cada dia. No pano de fundo disso tudo, existe a vontade de um amor incondicional, igual ao que sentimos pelo clube do coração. Um amor que não se troca, que nos esgota de devoção, que às vezes mais desilude que anima, mas está conosco para nos lembrar quem fomos, o que somos e para onde vamos. Bendita a mulher que é amada como uma bandeira.

No entanto, nunca conheci um homem com o desejo de casar-se intransitivamente, sem necessidade de um outro PROTAGONISTA - um erro de percepção visível em alguns espécimes da “nova-mulherzinha”, essa louvável reação natural de vocês ao velho feminismo.

Explico: para muitas senhoritas, casar-se é um verbo que parece dispensar um complemento, digamos, humano. Percebe-se nelas uma avidez por esse momento de extremo protagonismo feminino. A noiva é um Sol, em torno de quem giram os planetas - o noivo mais zonzo que todos, normalmente de uísque. Conheci uma moça que temia passar dos 25 sem aliança no dedo. Pulou de namorado em namorado, sem um breve dia de solteirice, desde os 18 anos. Parece que, neste ano, a coisa vai. Até porque em abril ela cruzará sua data-limite e Deus sabe que depressão viria.

Casos de mulheres que veem no status de casada o topo de uma carreira bem gerenciada são muitos. Depois de ter passado por recruta (peguete), ficante fixa (cabo), namorada (sargento) e noiva (tenente), há um tipo de mulher que se tornará um general a partir do momento em que descer do altar. No casamento de sábado, por exemplo, um convidado me contou que namorou a mesma mulher por 16 anos, mas o casamento só durou um ano.

“De repente, ela começou a querer me proibir de ver até a minha mãe, e depois disse que a casa da minha família em Saquarema sempre foi um programa de índio”, disse-me, e ainda espumava de ódio. Não poderia imaginar que, durante tanto tempo, o amor de sua vida tinha escondido aquele ferrão peçonhento. Não poderia admitir que não deveria ter mexido no time que ganhava. Dezesseis anos de namoro deveriam obrigar o casal a namorar para sempre

É dessas roubadas que temos medo, e não da palavra matrimônio, porque há literatura vasta sobre o assunto e muitos bróderes de valor já se foram. Se um dia pendurarmos as armas, será em nome da paz.

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