quarta-feira, 10 de março de 2010

Roubos e Furtos

por: Márvio do Anjos


“Não entendo por que vocês homens têm tanto pudor em roubar a mulher dos outros. Às vezes, tudo o que a gente quer é ser roubada de alguém.”

Ouvi isso na Quarta-Feira de Cinzas, dito por um amiga, justamente quando eu lamentava que certa fulana já tinha namorado. Estarrecido notei que algumas moças querem a barbárie, duelos mortais entre amigos de outrora e o consequente fim da civilização como a conhecemos. E eu não saberei dizer se são muitas ou se só uma minoria.

Não aceitei essa carta branca de primeira; sei que quem com ferro fere vai acabar se ferrando e respeito karma, os Tratados de Tordesilhas e a Declaração Universal dos Bróderes. A verdade, devo dizer-lhes, é que o macho cristão ocidental tem impedimentos sérios para isso: volto ao Velho Testamento e procuro piedosamente os Dez Mandamentos.

Está lá que ”não cobiçarás a casa do teu próximo, nem a mulher do teu próximo”, segundo o décimo.

A grande verdade é que, como essa regra se dirige aos homens, as mulheres se sentem mais livres para exercer a cobiça de namorados ou maridos das outras. E vocês sabem o problema que isso costuma dar pra vocês.

Não que sejamos bonzinhos, mas, na média, preferimos nos fingir de mortos até que a mulher do próximo nos ataque de um jeito em que tentar escapar pegaria até mal. E aí, inocentes, poderemos dizer em qualquer tribunal: ”Eu não fiz nada, foi ela que veio!”. Explicaríamos ao próximo e provavelmente o próximo, em lágrimas, entenderia.

Assim, mil desculpas por todos os roubos que, desatentos, não cometemos. Nosso melhor ramo no crime ainda é o da corrupção passiva.

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